Senhora em espanhol

Usamos señor, señora e señorita antes de sobrenomes ou títulos:. Señor Giménez; Señora López; El señor presidente; Exemplo: La señora Rodríguez vive aquí. [A senhora Rodríguez mora aquí.] Usamos as formas don e doña antes do nome:. Don Alfonso – em português traduzimos por “o Seu Alfonso” (seu = forma popular para “senhor”); Doña Carmen – em português traduzimos ... Senhora tradução no dicionário português - espanhol em Glosbe, dicionário on-line, de graça. Procurar milions palavras e frases em todos os idiomas. Exemplos de uso para 'senhor' em espanhol Essas frases provêm de fontes externas e podem ser imprecisas. bab.la não é responsável por esse conteúdo. Portuguese Temem ao seu Senhor , que está acima deles, e executam o que lhes é ordenado. Exemplos de uso para 'senhora' em espanhol. Essas frases provêm de fontes externas e podem ser imprecisas. bab.la não é responsável por esse conteúdo. 15/ago/2020 - Explore a pasta 'Espanhol' de Adriana Melo, seguida por 423 pessoas no Pinterest. Veja mais ideias sobre Espanhol, Vocabulário espanhol, Aprender espanhol. Traduções em contexto de 'senhora' en português-espanhol da Reverso Context : senhora presidente, senhora deputada, senhora comissária, agradecer à senhora, senhora ministra tradução senhora em espanhol, dicionário Portugues - Espanhol, consulte também 'senhora',senhoria',senhor',senha', definição, exemplos, definição Muitos exemplos de traduções com 'Senhora' – Dicionário português-espanhol e busca em milhões de traduções.

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2019.02.08 01:07 Leo_Moraes Ajudem o OP aqui a escolher um curso pfvr

Faço engenharia e já fiz meu inglês, hoje fui procurar cursos de espanhol pra dar um upgrade no currículo.
Na minha jornada vi cursos que eu conhecia, cursos que eu ouvi falar e cursos que eu nunca tinha visto...cada um tentando me captar de um jeito (as vezes com discursos bem parecidos) e gostaria de saber a opinião das senhoras e senhores para os seguintes cursos: ccaa, skill, wizard, 4me, yes e fisk.
Quero saber até onde eles fazem jus à fama e até onde o investimento vale a pena para espanhol. Afinal de contas eu poderia estar usando o mesmo investimento p um BELO CARRO (usado) kkk Dicas? Sugestões? Depoimentos? O método de ensino é eficiente? Os professores são bons? Hoje em dia é tudo igual?
Agradeço a todos!
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2018.08.23 02:18 LarienDumbert Desabafo de uma roraimense diante das acusações de xenofobia

Como me enoja ver gente de outros estados cobrando de nós roraimenses a caridade que por três anos jorramos em cima dos venezuelanos que fugiram do Socialismo.
Quando alguém de fora de Roraima nos chamar de xenofóbos, vamos lembrar que semana passada venezuelanos mataram um homem à pauladas para roubar os tênis dele e também venezuelanos montaram uma emboscada para matar um senhor, roubar seu carro e vender as peças na Guyana.
Quando disserem que somos cruéis vamos lembrar que três semanas atrás venezuelanos agrediram as ÚNICAS médicas plantonistas da única maternidade de Boa Vista, fazendo assim com que elas saíssem assustadas para fazer um B.O e resultando em bebês mortos no ventre de suas mães.
Quando disserem que somos desumanos vamos lembrar das vezes que as marmitas entregues em TODOS os abrigos, muitas vezes, foram parar no lixo porque os venezuelanos diziam que frango e peixe eram comida pra cachorro, eles queriam carne vermelha. Cavalo dado não se olha os dentes? Esse ditado só existe pra gente.
Quando nos chamarem de covardes vamos lembrar que no HGR nós não temos preferência e que se eu estiver grávida e chegar num posto da prefeitura só vou conseguir uma consulta pra dali uns dois meses, ao passo que a venezuelana que atravessou a fronteira com um filho doente em cada braço e mais um na barriga consegue uma consulta pro outro dia. Ainda falando em grávidas venezuelanas, vamos lembrar que 40% dos partos na maternidade são de bebês filhos de imigrantes.
Quando disserem que somos bárbaros vamos nos recordar do casal de idosos que foi morto à pauladas (impressionante como eles adoram matar roraimense à paulada) por um casal de venezuelanos que tinham conseguido emprego de caseiros no sítio do casal, lembremos do senhor de Mucajaí, seu Japão, que numa festa da cidade foi também foi morto à pauladas por um venezuelano, o que foi a gota d'água para os moradores de lá, que fizeram a mesma coisa que os moradores de Pacaraima.
Quando nos chamarem de egoístas vamos lembrar que há duas semanas atrás um moleque venezuelano de 17 anos matriculado em escola estadual, tendo moradia, família e recebendo auxílio do governo, resolveu entrar em uma facção criminosa que atua no país todo e foi morto e decapitado por uma facção rival que também atua no país todo. Vamos lembrar dos venezuelanos que bateram num militar do EB porque este disse que eles não poderiam entrar bêbados no abrigo e o que fizeram? Tiraram o militar de lá, colocaram outro e deixaram os venezuelanos bêbados entrarem.
Quando falarem que somos insensíveis vamos lembrar dos moradores do bairro Caimbé que vendem suas casas à preço de banana, pois o bairro inteiro virou ponto de prostituição das "oitchenta", venda de drogas e está entregue aos arrombamentos. Meninas de 15/16 anos saem para comprar pão e são assediadas por quem passa por lá e acha que elas são prostitutas ou que entregam drogas. Já pensou você sequer poder pintar seu muro, pois de noite ele já vai tá pichado com o preço dos programas, que aliás, subiu, não é mais 80; é 100.
Quando falarem que somos irracionais vamos lembrar da dona do restaurante da Ataúde Teive que oferecendo água e comida para dois venezuelanos que apareceram chorando na porta dela quase foi morta à pauladas por eles (adoram bater na gente usando pau, impressionante).
Eu mudo de nome se aparecer alguma mulher que já foi assediada por um haitiano ou por um guyanense, e também mudo de nome se não aparecer uma roraimense que já não ouviu "gostôsssa" "delíssia" "chupa mi verga mi amor" de algum venezuelano na rua. Aliás, quem é de fora não tem a pífia noção do respeito que temos pelos haitianos e eles por nós.
Nós nem sabíamos mais o que era sarampo e, nossos muros passaram a ser adesivados com "esta casa está imunizada" para que agentes de endemias que passassem soubessem que todos ali já foram vacinados. Sem mencionar as vezes que os agentes de saúde do bairro pediam 'por favor' para nós vacinarmos. Eu me senti no Antigo Egito com o sangue do cordeiro no batente da minha porta para espantar o Anjo da Morte na hora que vi aquele adesivo no muro da casa da minha mãe. Mas eu não estava no Antigo Egito, estava num estado com 500 mil habitantes que por conta da imigração desenfreada viu em 2018 sua população atingir o número de habitantes esperado para 2040. Eu estava num estado onde vi o número de furtos, roubos, assassinatos e estupros subir de um jeito a ponto de eu deixar de amar um pouco a terra onde nasceram meus ancestrais maternos. Eu tenho medo de morar em Roraima, eu tenho medo de sair de casa depois das 21:00 ainda que seja pra ir a duas esquinas de casa comprar espetinho com farofa.
Não nos importemos com a opinião de quem não sabe nada de nós ou dos males da imigração sem freios, deixem que os grandes jornais com jornalistas safados redigindo matérias mentirosas digam que somos ímpios, enquanto eles não têm coragem de dizer que é o Socialismo de Chavez e Maduro apoiado pelo preso que eles querem como presidente que trouxe isso aos venezuelanos, e agora, os males disso aterrorizam até a nós.
Nós sabemos o que é ter um terreno invadido enquanto um socialista membro de ONG ensina os venezuelanos a dizerem ao dono do terreno que só sairão de lá com mandado. Nós sabemos o que é passar a noite inteira com dor e não ir ao HGR por medo da meningite bacteriana que isolou áreas inteiras. Nós conhecemos a impotência em vermos venezuelanos criando associação para lutar pelos seus direitos no Brasil (?) enquanto a nós, aparentemente, nos resta o medo. Nós sabemos que o número de venezuelanos é tão grande, mas tão grande que, se eles pudessem votar e algum candidato fizesse campanha SÓ para eles, ele seria eleito e entre os primeiros.
Roraima foi povoado por gente que viu no nosso pedaço de chão uma esperança para um futuro que não existia mais em sua terra natal. Roraima SEMPRE abrigou quem veio TRABALHAR ainda que não tivesse onde dormir no fim do dia. Nunca iríamos negar aos venezuelanos as oportunidades que demos aos haitianos e os brasileiros de outros estados. Meu pai saiu de São Paulo e em 1981 chegou em Roraima, casou com uma Makuxi e foi pai de duas índias. Roraima tem mais gente de fora que do próprio estado, com que direito esses apedeutas dizem que somos xenófobos se somos filhos de imigrantes que desbravaram essa terra quando tudo era só mato? Sempre acolhemos todo mundo. E por TRÊS ANOS, TRÊS LONGOS ANOS ajudamos do jeito que podíamos. Há um ditado que diz que toda caridade deve ser anônima, do contrário, é vaidade. E nada do que fizemos por eles foi por vaidade, sempre fomos um povo generoso, sempre acolhemos quem veio sem nada, sozinho, assustado. A nobreza em se pôr no lugar do venezuelano, que tanto nos cobram, nós já tivemos antes mesmo das pessoas que nos xingam conseguirem apontar Roraima no mapa do Brasil.
Não se preocupem em explicar porque não ajudamos, quando nós sabemos que ajudamos até demais, além das nossas forças. Eu lembro de matéria da TV Roraima de uma senhora no Paraviana que abrigou venezuelanos dentro de casa e o marido a chamou de louca. Também lembro que Pacaraima não tinha um homicídio há três anos e numa tarde teve dois assassinatos em plena luz do dia no meio do comércio. Quem nos julga não sabe que venezuelanos em massa já conhecem audiência de custódia, já falam que somos nós que temos que aprender espanhol e não eles o Português, e não é que estavam certos? Afinal, no edital PCRR estão pedindo espanhol para os candidatos que querem ser policiais.
Todo roraimense já sustentou a frase "mas nem todos" e todo roraimense sabe que isso não se aplica mais ao que vivemos. Já se foi o tempo que podíamos separar o ruim, doente e ilegal daqueles poucos que vieram trabalhar. E que diga-se de passagem nem estão mais em Roraima. São Paulo, Mato Grosso e Rio de Janeiro já receberam venezuelanos com nível superior, solteiros, sem filhos, sem passagens pela polícia, com cartão de vacina em dia e passaporte em mãos. O que sobrou para nós? Os doentes, os que furtam, roubam, assediam, entram no crime e, ainda há os que defendem Chavez. Eu não vi brasileiros xenofóbos em Pacaraima, eu vi pessoas cansadas, com medo, abandonadas pelo Governo Federal enquanto assistem a construção de mais um abrigo no estado ao passo que comerciantes de lá tem que dormir nos seus mercados para impedir que estes sejam arrombados.
Não demos explicações a ninguém. Ninguém sabe quantos roraimenses estão neste momento com medo, ou mutilados, ou internados depois de espancamento, ou quantos estão de LUTO por causa da imigração.
Quem é de fora e nós critica não têm envergadura moral para falar nada, nem a mais rasa e respeitosa crítica, pois nenhuma dessas pessoas teve culhão ou grelo duro (como dizem as feministas apoiadores do Lula) para apontar o nome do sistema que levou os venezuelanos à ruína ou se fez de cego e surdo quando começamos a dizer que vivíamos à beira de uma tragédia anunciada.
Nós não devemos explicações a quem fechou os olhos para os nossos males e só os abriu agora que estamos cansados. A essa gente que nos critica, mas não tece(u) nenhum comentário sobre Chavez, Maduro ou o Socialismo covarde que destruiu o país vizinho nos limitemos a dizer "vão à merda".
Daniele Custódio, 19 de agosto 20:21
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2016.01.16 18:15 silverat AMA Sé - eu sobrevivi

(es)Tava com uma bolinha no olho, sem plano de saúde, sem grana e com um compromisso para hoje. Resolvi então, sair sexta a noite a pé e ir conhecer a AMA (Assistencia Médica Ambulatorial) da Praça da Sé, afinal queria apenas um colírio antibiótico.
Para começar não fica na Sé, fica no baixo Glicério (tipo um mato-grosso do centro de São Paulo). Pelas ruas que antecediam a unidade de saúde, aqueles enormes prédios governamentais, cobertos de mármores café imperial, portas enormes, mal iluminados, com portas onde passariam gigantes. Estátuas, placas de bronze. Eu todo com medo me sentindo Froddo ante as duas torres. Fui titubeante pelas ruas escuras e estranhas. Ao andar, um catador puxando um carrinho ao qual merece aparte:
Negro, mediano, magro mas forte, pensativo, cabisbaixo. Seu carrinho de papel tinha bateria, porque estava tocando uma música de alguma escola de samba. Andava contando os passos, andava vagarosamente, como se estivesse penetrado na música, como se ela lhe lembrasse de tempos passados ou um prometido e glorioso futuro. Entre as sombras, acreditem ele era minha referência segura em caso de meu assassinato ou assalto.
Não estava cercado por pessoas estranhas, o que por certo me causaria receio. Era pior, via pessoas correndo entre as sombras do viaduto, trabalhadores esparsos correndo como se conhecessem o perigo da região. Em minha mente gritos vinham com as freadas das rodas de aço do trêm. Não via nada, exceto sombras e sussurros.
Finalmente, reconheci o prédio do AMA, mendigos deitados do lado oposto da rua, esperando a noite passar. O portão de entrada dizia: entrada ao lado "=>". Teria de andar mais uns 300 metros para ver um gradeado com dois policiais municipais armados fazendo a segurança do local. Ao entrar, peguei uma senha.
O local era desolador: meu olho coçava, e com as mãos sujas, queria lavá-las. Não havia bahneiro. Quero dizer havia mas parecia com o banheiro do "Duke Nuken". Várias portas e todas diziam: "Em Manutenção" (e pequenos rabiscos ao lado). No meio do banheiro uma torneira (sem pia ou espelho). Pensei: isso só pode servir para lavar alguém que chege em situação muito precária.
Minha senha era a 55. O painel estava no 53. Enquanto olhava os bancos, fiquei pensando: quanto de tudo que havia e que agora estava em decomposição tivera seus preços superfaturados no passado. Os bancos quebrados, o painel de senhas desalinhado horizontalmente, as paredes sujas - um dia bege mas hoje tinha um degrade caramelo, como se milhares de pessoas tivessem se esfregado lá - uma mão de tinta faria muita diferença.
Um pai chegou com a filha no colo. A recepcionista disse: hoje não tem pediatra. O olhar desesperado do pai, fez com que a moça apontasse um caminho enquanto falou algo que não compreendi. O homem caminhou então em direção a um corredor.
O segurança e a recepcionista caçoavam brincando com uma senhora de rua com o cabelo emaranhado, que contava histórias malucas enquanto eles riam. Não via graça. Parecia cena de filme de terror espanhol.
Fui chamado e atendido, peguei o meu colírio, chamei um taxi e fui para casa. Só volto lá em caso de emergência, e durante o dia.
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2015.11.29 00:26 fillingtheblank Relato pessoal de certos absurdos comuns que ouço a respeito do nordeste e que não deveriam ser tão indiferentemente aceitos

Olá amigos e amigas do /Brasil
Ultimamente uma série de experiências pessoais, experimentadas mesmo por mim, se acumularam e sinto a necessidade de falar. Talvez uma reflexão ou um debate possa nascer disso. Se não, pelo menos pus para fora.
Sou nordestino. Meu pai é do interior do Rio Grande do Norte e minha mãe do interior do Maranhão. Eu nasci no Maranhão. Além do português nativo, falo três línguas fluentemente (francês, inglês, espanhol), com certificado internacional para comprovar, e tenho noções avançadas de alemão e japonês. Tenho dois diplomas universitários, sociologia e direito, sendo que o de direito foi numa faculdade internacional que está entre as 30 melhores do mundo pelo T.H.E. ranking. Todos os meus irmãos, todos os meus tio/as e todos os meus primo/as têm educação superior, pelo menos um terço dessas pessoas são bilíngues, algumas são trinlíngues, e todas são nordestinas, embora nenhum dos meus quatro avós tenha terminado a escola (uma avó ingressou num programa de educação para adultos depois de uma certa idade e concluiu a educação). Os meus avós maternos eram agricultores e os meus avós paternos eram feiristas (ou feirantes, se preferirem). Minha mãe chegou a mendigar com os irmãos na infância, embora ela não goste de falar nisso. Isso tudo para dizer não uma humble brag, pois vocês nem me conhecem, mas para estabelecer um primeiro ponto: pobre, e pobre de lascar e analfabeto, não é desprovido da noção da importância da educação. Minha vó materna quando conseguiu um pouco mais de dinheiro na vida e se mudou para a capital do estado pôs, com sacrifício, os filhos numa escola de inglês. Isso na década de 70 e vindo do interior do Maranhão. Tem até uma história engraçada na família que um empresário do interior naquela altura passou a pagar meu tio para ir lá de vez em quando apenas porque ele era o único que conseguia ler os manuais em inglês que o cara comprava para a fábrica dele (ou fazenda, não sei os detalhes dessa história direito).
. Recentemente passei um tempo na região sudeste e ouvi algumas coisas que me impressionaram. Coisas que, tenho certeza, seriam vistas com constrangimento se fossem ditas para uma minoria nos EUA mas que no Brasil é, parece, lugar-comum e não causa uma fração da indignação que deveria causar. Pelo contrário, é dito despretensiosamente e recebido ao redor banalmente. São coisas que me ferem a inteligência e tentam ferir a dignidade. Se você for um amigo do sul ou sudeste do país gostaria que não só pensasse antes de dizer algumas dessas coisas como reprimisse e rechaçasse se alguém ao seu redor dissesse. Eis aqui o relato pessoal de coisas que ouvi e vivi nessa minha passagem pelo sudeste:
. 1) "Você é maranhense/nordestino? Mas você não fala como eles."
. A primeira vez que eu ouvi isso minha reação foi de surpresa. Surpresa porque nasci e cresci no nordeste, filho de ambos pais nordestinos, com minha vasta família e amigos de lá. Não havendo, portanto, quase ninguém ao meu redor que não fosse nascido e crescido no nordeste e que eu aprendi a falar como todas as crianças, absorvendo a fala da comunidade, me surpreendeu o reflexo de pensar que eu pudesse de alguma forma não falar como o meu meio. No início a minha reação foi "Ué, e como falam lá?" seguida de uma embaraçosa tentativa de explicar ou imitar uma fala brasileira que não existe, ou lembre uma caricatura exagerada de falas muito locais, encontradas em alguns bolsões perto da costa colonial (Recife, Maceió, pedaços da Bahia) que estão mais longe de mim do que a Guiana inglesa. Mas aí uma outra pergunta importante se seguia, da minha parte: "Você já foi ao Maranhão?". Resposta em 99% das vezes: "Não." "Mas você tem amigos de lá?" "Não." Então como você sabe como falam as pessoas de lá?
Se eu tivesse ouvido essa expressão uma vez na vida e outra na morte, vá lá, ainda passava como ingenuidade. Mas é algo que ouço com frequência. Já teve uma ocasião que o cara me disse que ele se baseava pelos nordestinos nas novelas. Porto dos Milagres, Auto da Compadecida, Cor do Pecado, Gabriela e assim por diante. Só esqueceu de considerar totalmente que o Marco Palmeira, a Flávia Alessandra, o Selton Mello, a Taís Araújo, a Juliana Paes, o Reynaldo Gianechini, a Maitê Proença são todos do sudeste, e quase todos especificamente do Rio de Janeiro (thanks, Globo). E sim, as esteriotipizações por eles feitas são cringey.
. 2) "Você não tem traços nordestinos/maranhenses."
. Essa é foda. Basicamente, a mesma série de perguntas acima sobre a fala podem e são repetidas aqui. A diferença é que por algumas vezes eu tive a resposta que o fulano ou fulana conhecia maranhenses pelos cortadores de cana ou funcionários de alguma fazenda do interior paulista. Cara, no fundo a pergunta é a seguinte: brasileiro tem uma cara? Carioca tem uma cara? Nordestino tem tanto uma cara quanto cariocas têm uma cara. Essa pergunta é bem "racistinha" (o único racismo que existe no Brasil é o racismozinho, segundo a narrativa autorepetida). o País é muitl-racial de norte a sul embora lógico certas zonas específicas vão ter uma presença maior de uma raça do que outra, mas não há nenhuma zona monolítica. "Iguais" a mim eu conheço milhões; diferentes de mim eu conheço outros tantos milhões.
. 3) "Você fala tão bem para alguém de lá."
. Ai cara, por onde começar... Deveria ser óbvio para qualquer ser com dois neurônios que isso não é algo aceitável de se dizer, mas a experiência me mostra que no nosso país não é o caso. Vamos pensar: o que essa frase implicitamente carrega? O que essa expressão presume? Assume que de acordo com o locutor nordestinos não são seres humanos com a mesma capacidade de falar "direito" ou "tão bem quanto" o resto do Brasil. Precisa explicar por que esse negócio é um absurdo? Por vezes essa frase vem com uma variante. Eu ouvi da boca de uma professora de inglês de uma das escolas mais caras da maior cidade do Brasil que "Meu inglês e minha pronúncia eras muito bons para um nordestino". Ela realmente acha que o sotaque dela e da região dela é que era a pica da galáxia (spoiler alert: não era), como se tivesse uma qualquer naturalidade sonora quando ia na língua de Shakespeare (não tem). De vez em quando aparece um cidadão que me diz que os maranhenses têm o melhor português do Brasil. Falso, e igualmente um preconceito, e eu sempre desalimento. Mas da mesma maneira que combate-se um tem de se combater o outro. Enfim, se eu falo bem ou não, certamente isso tem a ver comigo e não com minha geografia de nascimento. O nordeste tem a mesma qualidade de educação e cultura que o resto do Brasil. O Piauí aparece com frequência no topo de listas com melhores escolas públicas. Não é por aí. E o nosso cérebro é o mesmo, nós somos a mesma espécie (estou dizendo isso em 2015). Minha capacidade de aprender a falar, inclusive em outras línguas, é a mesma da sua e de todo mundo.
. 4) "Lá no Maranhão tem [inserir qualquer coisa básica que tem em qualquer lugar do mundo]?"
. Bicho, não tem nada que tenha aqui que não tenha lá. Certa vez, em uma conversa sobre tecnologia brasileira, eu mencionei a base espacial de Alcântara, no Maranhão, um lugar top e o coração da agência espacial brasileira, e o sujeito - que eu duvido que sabia que isso existia - reagiu assim: "Ha, deve ser do tamanho de uma cozinha". Que engraçado. E sim, isso é um comentário bastante cretino. Sem falar que não é um insulto ao estado, é um insulto ao país. Não sei se ele entende porqué. Ademais, para voltar ao espírito da pergunta, não, eu não vou para a escola ou trabalho de barco nem de cavalo. Eu pego o carro, ligo a rádio ou o smartphone para ver como tá o tránsito e vou pelas avenidas ou de metrô. Certa vez uma pessoa comentou, seríssima, que eu devia ter saudades de andar de cavalo pela praia agora que eu vivia "numa selva de concreto". Cara.... Pessoa.... eu nunca andei de cavalo a não ser em festa de rodeio no interior de São Paulo, eu quase não ia à praia (quando ia, pasmem, ia de carro) e as cidades nordestinas são "selvas de concreto" também. Aliás, infelizmente, podiam ter um pouco mais de espaços verdes como tem São Paulo e Rio. Hoje em dia, eu acho, em cidades como São Paulo e Curitiba há um debate importante sobre qualidade do espaço urbano, qualidade de vida e verde acima do puro desenvolvimentismo, enquanto que no nordeste a mentalidade é quase puramente desenvolvimentista. O negócio nas cidades nordestinas é ter 100 megashoppings com redes de viadutos interconectando todos e condomínios-bairros privados, essa criatura saída do inferno, completos na orla da praia. Quem me dera tivéssemos mais espaços verdes, natureza e praças como no sul e sudeste.
. 5) “Isso é tão baiano.”
. Ou, no caso dos amigos cariocas, tão paraíba. Olha, essa deveria ser fácil de entender. Quando um insulto é literalmente a origem de alguém tem algum problema com o insultador. Eu nunca ouvi na vida um nordestino dizer que algo era muito carioca ou muito paulista como denegrimento, inclusive se estivesse falando de algo tipicamente carioca ou paulista. Uma vez um cara disse para mim “Que óculos baiano, cara”. Não importa que nível de intimidade você acha que tenha com alguém. Na pior das hipóteses, se isso for permissível, diga que achou meus óculos feio, mas essa de usar baiano como insulto é de lascar. E eu não sou da Bahia nem tenho família lá (infelizmente, pois se pudesse morava lá, visto ser o lugar e o povo que mais gosto no Brasil). Ou tãopouco da Paraíba.
. 6) Insultos aos nordestinos numa tentativa de relacioná-los com agendas políticas manipuladas.
. Num jantar recente em São Paulo ouvi uma pessoa dizer uma verdadeira pérola de frase. Que “as pessoas ‘daquela região’ votam como votam porque não são tão bem informadas quanto a gente”. Não, filha, não é por isso. É por uma série de motivos complexos e pessoais que pessoas votam diferente umas das outras,e nenhuma região aliás vota em uníssono. Esse comentário é de um simplismo e de uma babaquice, sem falar também de uma senhora pretensão e complexo de inteligência e informação maior do que a dos outros… Como se cada população não tivesse também meios de informação e pudesse pensar por si. Uma certa camada da população está convencida de que o PT só existe “because Nordeste”. Nas últimas eleições quem tem olhos viu a baixaria que foi contra nordestinos na internet e em outras situações. Em especial, que é o Bolsa-Família que define o voto nordestino. Eita eu queria viver nesse mundo dessa galera, onde tudo é simples, quadrado e preto-e-branco. Um pouco de realidade: o 2º estado do país inteiro com mais beneficiários do bolsa-família é………… São Paulo. E o 4º estado com mais beneficiários do programa é….. Minas. O 3º estado com mais beneficiados é Pernambuco, mas… Aécio Neves perdeu para Dilma em Minas, sua terra natal. Dilma e o PT perderam em Pernambuco (Marina levou). Aécio perdeu também no Rio de Janeiro. O candidato a governador que a Dilma, o Lula e o PT apoiaram no Maranhão perdeu para o candidato da chapa formada pelo PSDB. No Pará também aconteceu exatamente a mesma coisa (sim, não é nordeste, mas é com frequéncia acusado de ser curral eleitoral do PT). Dilma venceu no Rio Grande do Sul. Mas perdeu em três estados da região norte, uma das regiões mais beneficiadas pelo bolsa família, percentualmente, no país. O Maranhão é o estado com a maior proporção percentual de cadastrados no país, e é um sétimo da população. Seria ingênuo crer que o eleitorado está prestando qualquer fidelidade ao PT, tendo-os inclusive rechaçado do governo estadual (e com 65% dos votos, um recorde nacional, pelo candidato da oposição). Posso garantir que há mais militantes do PT no sul do país que no Maranhão. O MST nasceu no Rio Grande do Sul, vale lembrar. Mas isso não digo nem contra o PT, pois discutir política não é o intuito desse post, nem contra o Rio Grande do Sul, estado pelo qual não nutro nada de mal (pelo contrário). Até porque não sou desses hipócritas que existem por aí aos montes (e nesse sub também) que denunciam um comportamento contra seu grupo para fazer o mesmo contra outro grupo; os “anti-preconceitos” seletivos. Nem contra São Paulo nem contra o sudeste este post é. Quero mais é que os povos dessas regiões sejam felizes e prósperos. O que escrevo é, isso sim, contra um comportamento e contra uma mentalidade. É contra uma visão de mundo preto e branca, cheia de simplismos grosseiros e de preconceitos não inocentes. Uma que todos nós deveríamos denunciar. Enfim, o brasileiro vota mal em todo o país. O nordeste não vota “pior” nem mais “mal informado” que o sudeste. Até ontem São Paulo elegia Maluf e Pitta para cargos executivos. Eu até acho que dadas as circunstâncias presentes o nordeste talvez vote um pouco melhor porque no Rio o Gabeira perdeu para o Cabral e em São Paulo não tem crise administrativa nem escândalo político que abale a reeleição do governo estadual; enquanto que no nordeste, onde toda a mídia é controlada por famílias de coronéis, ainda assim o Maranhão tirou os Sarney do poder; a Bahia tirou os Magalhães do poder e Collor perdeu para o governo de Alagoas (que em 89 foi eleito com 60% dos votos em São Paulo). Lembremos disso também. Quase todos os estados do nordeste tiveram mais rotação partidária que os estados do sudeste. No Natal passado, logo após a brigaria das eleições, nos meus grupos de whatsapp com amigos e familiares do Maranhão eu recebi algumas vezes uma dessas imagens-mensagens passadas e repassadas em que a figura dizia “Sabe o que eu tenho vontade de dizer para esse pessoal que insulta o nordeste e que agora vem passar ano novo aqui nas nossas praias!?! … Sejam bem-vindos, esperemos que desfrutem da estadia e queiram voltar.” Essa é uma mentalidade que aprovo. A gente passa rápido notícia ruim mas eis aí brasileiros repassando uma coisa boa, madura.
. Enfim, esse texto já está muito grande. Se alguém chegou até o fim a moral da história é: deixem de preconceitos, o mundo é mais complexo. Larguem e não permitam esse “racismozinho” tipicamente brasileiro. Caguem na cara dos regionalismos. Cada lugar tem pessoas boas e más, inteligentes e burras, mas nenhuma tem números percentuais muito diferentes dos mesmos e a realidade é bem mais complexa que qualquer situação. Aliás, não são só “gente do sudeste” que faz essa merda com “gente do nordeste”. Como alguém que já viajou à Bolívia e a países na África e que sabe o quanto esses países tem desenvolvimento, inteligência, estrutura, lazer, e tudo o que tem no nosso eu fico impressionado com a quantidade de merda e “racismozinho” que eu ouço meus conterrâneos falarem desses povos.
TL;DR: abaixo o “racismozinho” tão aceitável no Brasil. Regionalismo (quando não é apenas piada inocente) é preconceito forte e ignorante, embora largamente aceito no Brasil.
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